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Telemóvel: Agravamento das Multas! FAZ SENTIDO?

Telemóvel: Agravamento das Multas! FAZ SENTIDO?

A 26 de Setembro partilhámos o nosso artigo sobre “Sinistralidade – Para quando uma sociedade que se respeita?”, no qual alertámos para:
   - A dureza dos números da sinistralidade nas estradas portuguesas;
   - Os principais comportamentos de risco;
   - E identificámos o Civismo, o Respeito em conjunto com o conhecimento e cumprimento das regras do código como 3 princípios fundamentais para uma sociedade com menor sinistralidade nas estradas.
 
Relacionado com um dos comportamentos de risco, ao longo desta semana voltou a ser destaque o tema do manuseamento do telemóvel durante a condução e o agravamento das penalizações: 
   -  quer ao nível de coima – agora podem chegar aos 1.250 euros;
   - quer em termos de sanção acessória – ao invés de perder-se 2 pontos passará a ser penalizado com a retirada de 3 pontos.
 
Apesar de ser evidente que o telemóvel é uma fonte de distração, a questão que se coloca é porque motivo continuamos a insistir no agravamento de penalizações ao invés de se investir na mudança de comportamentos?
 
Será que os apelos constantemente realizados para o não manuseamento do telemóvel enquanto se conduz através de campanhas de sensibilização são ignorados?
 
A perda de pontos e inibição de condução não são um elemento dissuasor?
 
As inúmeras tecnologias e soluções disponíveis para realização de chamadas sem manusear o telemóvel são esquecidas? 
 
Será que a sociedade, que se intitula como de maior consciencialização e responsabilidade, ignora que o manuseamento do telemóvel enquanto conduz põe em causa não só a sua segurança, mas igualmente os outros condutores, os peões e os passageiros que possa estar a transportar?
 
Infelizmente, e após análise dos números partilhados pela Polícia de Segurança Pública - do período de Junho a Outubro de 2019 - o flagelo do manuseamento do telemóvel enquanto se conduz continua a crescer:
   - 11,33% das contra-ordenações decorre do manuseamento do telemóvel;
   - É a 2.ª principal contra-ordenação registada, apenas superada pelo excesso de velocidade;
   - Apresenta uma tendência de crescimento no peso das contra-ordenações registadas – de 9,83% em Junho evoluiu para um peso de 16,02% em Outubro.
 
Se a estes números recordarmos que ocorrem 15 acidentes por hora acrescidos de que em 2018, segundo dados disponibilizados pela ANSR, PSP e GNR:
   -  47,83% das vítimas perderam a sua vida em acidentes dentro das localidades;
   - De um total de 34.235 acidentes com vítimas registadas, 26.513 ocorreram dentro das localidades - 77,44% do total de acidentes;
   - E foram registadas, em média, 107 contra-ordenações por dia por manuseamento do telemóvel enquanto se conduz.
 
Esta é uma clara demonstração do flagelo que os números traduzem das estradas portuguesas e de como o telemóvel é um instrumento, uma “arma” manuseada diariamente de forma negligente e que coloca em causa a vida de terceiros e do próprio que o utiliza!
 
Numa era em que a sociedade vive “online”, 24 sobre 24 horas, os 7 dias da semana, em que tudo parece exigir uma resposta instantânea, algo tão simples parece esquecido: uma mensagem por responder ou uma chamada por atender podem ser devolvidas tranquilamente quando estacionar (não é parar!). Já a vida – do condutor ou a de outra pessoa - não permite uma hipótese de responder de volta se for perdida!
Concentração na condução; a utilização do telemóvel somente apenas após a chegada ao destino!
 
Deste modo é com naturalidade que afirmamos que este agravamento faz sentido e, na nossa opinião, peca por tardio.
 
Mudar comportamentos, evoluir a mentalidade de uma sociedade demora o seu tempo! Exige investimento, tempo e perseverança!
 
Assim será fundamental que este agravamento de sanções – pecuniária e acessória – seja acompanhado por um plano de ação:
   - de longo prazo;
   - que instrua a sociedade para os perigos da “arma” automóvel/motociclo quando utilizada de forma negligente;
   - de sensibilização para os comportamentos de risco, suas consequências e da importância de uma condução preventiva e defensiva;
   - que abranja todos os utentes das vias públicas – peões e condutores – e de todas as idades: desde os primeiros passos num pré-escolar até ao final das nossas vidas somos utentes das vias públicas: seja como peão e/ou como condutor, temos sempre algo de novo para aprender;
   - e envolvendo as entidades municipais, as famílias e as escolas para as particularidades de cada região.
 
Em suma é fundamental:
   - Uma ação imediata que penalize e alerte para os comportamentos que colocam em risco a vida de terceiros e do próprio infrator;
   - E um plano de ação de longo prazo que promova ações de sensibilização e formação transversais às faixas etárias e envolvendo condutores, peões e instituições, com o objetivo de promover o civismo, o respeito e a educação como princípios fundamentais para a construção de uma verdadeira sociedade.
 
Na nossa opinião é desta combinação que serão definidos os comportamentos dos condutores e peões do futuro – seres humanos que terão famílias, amigos, colegas de trabalho, hobbies, vidas construídas assentes na relação entre pessoas – que irão definir o nível de segurança rodoviária!
 
A Multa Zero deseja-lhe uma boa viagem em segurança! 

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