A Associação Automóvel de Portugal (ACAP) alertou que Portugal está a tornar-se o “caixote do lixo” dos carros usados da Europa, devido à elevada importação de veículos em fim de vida, especialmente a gasóleo. Em 2024, foram importados cerca de 106 mil veículos usados, representando aproximadamente metade das vendas de novos automóveis no país. A idade média dos veículos importados usados situou-se em 8,3 anos, contribuindo para o envelhecimento do parque automóvel nacional.
Este fenómeno tem implicações ambientais e de segurança rodoviária, uma vez que veículos mais antigos tendem a ser mais poluentes e menos seguros. A ACAP defende a implementação de incentivos ao abate de veículos antigos e a promoção da aquisição de veículos de baixas emissões, como forma de renovar o parque automóvel e reduzir as emissões de CO2.
Além disso, a associação destaca a necessidade de rever a carga fiscal sobre os automóveis e de simplificar os processos para o desenvolvimento da infraestrutura de carregamento de veículos elétricos, visando uma mobilidade mais sustentável.
O alerta da ACAP sobre Portugal estar a tornar-se o “caixote do lixo” dos carros usados europeus levanta várias bandeiras vermelhas — e há consequências que já estamos a sentir, e outras que podem agravar-se se nada for feito. Aqui vai um resumo do que se pode esperar:
🚘 1. Envelhecimento contínuo do parque automóvel
- Portugal já tem um dos parques automóveis mais envelhecidos da Europa. Se continuar a entrar uma grande quantidade de carros usados (em média com mais de 8 anos), esta tendência vai piorar.
- Isso significa mais carros com menos eficiência energética, mais emissões e mais avarias.
🌍 2. Impacto ambiental agravado
- Carros mais antigos (sobretudo a gasóleo) são mais poluentes.
- Portugal arrisca falhar metas ambientais e de descarbonização, principalmente as definidas no âmbito do Pacto Ecológico Europeu e do Plano Nacional Energia e Clima (PNEC).
⚠️ 3. Riscos para a segurança rodoviária
- Veículos mais antigos tendem a ter menos tecnologia de segurança ativa e passiva.
- O aumento do número de carros antigos em circulação pode levar a mais acidentes e ferimentos graves.
💸 4. Pressão sobre os serviços públicos e infraestruturas
- Mais carros velhos = mais necessidade de fiscalização, manutenção de estradas, controlo de emissões e inspeções.
- Serviços como a inspeção periódica obrigatória (IPO) e oficinas poderão ficar sobrecarregados.
👉 O que pode mudar (se houver vontade política e social):
- Incentivos ao abate de carros antigos, como já aconteceu em programas anteriores.
- Benefícios fiscais ou subsídios para veículos elétricos ou híbridos plug-in, que ajudem a renovar o parque automóvel com viaturas mais ecológicas.
- Campanhas de sensibilização para mostrar os custos ocultos de manter veículos muito antigos.
- Revisão da política de importação, para evitar que o país receba os carros mais obsoletos da Europa.
Se nada for feito, Portugal poderá continuar a atrair o que a Europa já não quer — com custos ambientais, sociais e económicos cada vez maiores. Mas se for encarado como um “wake-up call”, ainda há margem para inverter a tendência.